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O Instituto Metrópole Digital (IMD/UFRN) recebe, a partir desta segunda-feira (24) até o dia 5 de abril, a exposição “Lixo eletrônico: tudo isso já foi o futuro”. A mostra é realizada em parceria com a empresa Natal Reciclagem e o Parque Tecnológico Metrópole Digital (Metrópole Parque). Além de proporcionar aos visitantes uma verdadeira “viagem no tempo” com mais de 350 itens em exposição, a iniciativa tem como objetivo principal chamar a atenção do público para a importância do descarte correto de resíduos eletrônicos.
A exposição reúne diversos itens como celulares antigos, televisores de tubo, rádios, computadores clássicos e câmeras fotográficas. Entre os destaques, estão um exemplar do primeiro celular lançado no Brasil, o Motorola PT 550, e uma réplica do Motorola DynaTAC 8000X, considerado o primeiro telefone móvel do mundo. “Temos televisores das décadas de 70 e 80, computadores dos anos 80, numa época em que esses equipamentos não chegavam à população em geral, apenas às corporações”, detalha o gestor ambiental da Natal Reciclagem, Jurandir Nunes.
“Também temos telefones do século XIX, que eram acessíveis apenas à elite. Há gravadores da década de 60, como os usados por repórteres para registrar jogos de futebol em fitas cassete e depois transmitir nas rádios. São raridades que você só vai encontrar aqui”, acrescenta.
Jurandir ressalta que, além de despertar a nostalgia por tecnologias que já foram símbolo de modernidade, a exposição busca conscientizar a população sobre o descarte correto do lixo eletrônico. Para isso, durante o evento, serão divulgadas alternativas como o serviço de coleta domiciliar gratuita oferecido pela empresa, além dos mais de 50 pontos de coleta espalhados pelo Rio Grande do Norte. Um desses pontos está localizado no prédio do Metrópole Digital, no bairro de Lagoa Nova, zona Sul de Natal.
De acordo com Íris Pimenta, diretora-adjunta do Metrópole Parque, a exposição não apenas proporciona aos alunos o contato com equipamentos que muitos nunca viram de perto, mas também promove uma reflexão importante sobre sustentabilidade e descarte consciente. “O Brasil é o quinto maior produtor de lixo eletrônico do mundo, mas apenas 3% desse material é descartado corretamente. Isso reforça a necessidade de ações que conscientizem e orientem a população sobre o tema. Uma das maiores dificuldades é justamente a disponibilidade de ecopontos. Às vezes queremos descartar algo e não sabemos onde. Onde descartar uma pilha? Ou o óleo de cozinha usado? Essa é uma barreira real”, explica.
“Hoje temos um ecoponto fixo aqui no IMD, para que quem tenha um teclado, computador ou celular antigos possa descartá-los adequadamente. Acredito que a maior dificuldade da conscientização é justamente a falta de pontos de coleta acessíveis à população”, reforça Íris.
Um dos visitantes interessados na mostra foi o estudante Luiz Eduardo, do quinto período do curso de Tecnologia da Informação. “Acho importante porque mostra pra gente como, muitas vezes, o tempo passa sem notarmos, e não percebemos o quanto a tecnologia avançou”, observa. Para Luiz, a exposição provoca duas reflexões: primeiro, sobre a velocidade com que a tecnologia evolui em curtos períodos; segundo, sobre como os dispositivos atuais também se tornarão obsoletos e parte do passado.
Além disso, ele destaca a relevância da conscientização promovida pelo evento quanto ao descarte correto de lixo eletrônico, que também pode ganhar novos significados ao ser reaproveitado como item expositivo. “Grande parte do lixo eletrônico no Brasil ainda é descartada de forma incorreta. A exposição nos traz essa mensagem importante, sobre a necessidade de descartar corretamente os componentes eletrônicos e valorizar a reciclagem, que é o foco do projeto”, afirma.
Dados
Segundo relatório divulgado em 2024 pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil está entre os maiores produtores de lixo eletrônico do mundo, ocupando o quinto lugar no ranking, com uma produção anual de 2,4 milhões de toneladas. Apesar do volume expressivo, apenas 3% desses resíduos são descartados de maneira adequada, o que agrava os impactos ambientais, com potencial de contaminação do solo e de corpos d’água.
Na América, o Brasil supera o México e o Canadá, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, que produzem anualmente 7,2 milhões de toneladas de resíduos eletrônicos.
Foto: Magnus Nascimento